PublicidadePublicidade - Poder da Capital

Construção civil mantém ritmo lento e empresários completam 20 meses em pessimismo

​Indicadores de atividade, capacidade operacional e confiança do setor operam abaixo da média histórica, aponta levantamento da CNI e CBIC

Construção civil mantém ritmo lento. Foto: Gilberto Sousa/CNI
V
Victor Gomes

A indústria da construção civil brasileira segue operando em ritmo inferior ao observado no ano anterior, refletindo um cenário de desaquecimento nos canteiros de obras e cautela prolongada entre as lideranças empresariais. Os dados fazem parte da mais recente Sondagem Indústria da Construção, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica o porquê do descompasso entre a atividade, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) e o emprego. “Essa diferença entre os comportamentos é comum em situações de desaceleração da atividade, que leva um pouco de tempo a mais para começar a se refletir no emprego, sobretudo depois desse longo período de mercado de trabalho bastante aquecido”, aponta.

​Em julho, o índice de evolução da atividade do setor registrou uma variação tímida de 0,1 ponto, alcançando 47,2 pontos. O resultado consolida o desempenho meio ponto abaixo da média histórica registrada para os meses de julho, confirmando a lentidão na recuperação dos trabalhos.

​O recuo produtivo também impactou diretamente a Utilização da Capacidade Operacional (UCO), indicador que mede a intensidade dos trabalhos em andamento. Em agosto, a UCO recuou 1 ponto percentual e fixou-se em 66%. Na comparação anual com o mesmo mês de 2025, o patamar atual representa uma retração de 2 pontos percentuais.

​No campo das expectativas, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Construção apresentou uma recuperação pontual de 1,6 ponto em agosto, atingindo 47,2 pontos. A alta foi puxada pela melhora nas avaliações sobre as condições correntes e pelo avanço das projeções futuras para as empresas e para o cenário macroeconômico. Contudo, como permanece abaixo da marca de 50 pontos, linha divisória que separa o otimismo da desconfiança, o setor completa 20 meses consecutivos em terreno pessimista.