Consórcio imobiliário deixa de ser plano B e vira estratégia de investidores
Modalidade ganha espaço no planejamento de empresários e clientes de maior renda que buscam adquirir imóveis preservar liquidez e ampliar patrimônio
O consórcio imobiliário fechou o primeiro semestre de 2026 com 838,03 mil cotas vendidas, alta de 41,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). Foi o maior ritmo de crescimento entre os principais segmentos do sistema. No mesmo período, o número de participantes ativos chegou a 3,23 milhões, avanço de 35,1%, enquanto os créditos comercializados cresceram 38,4%. Os números acompanham uma mudança na relação dos brasileiros com a modalidade, historicamente associada à compra da casa própria e agora incorporada também ao planejamento de investidores, empresários e clientes de maior renda interessados em ampliar o patrimônio.
Para o CEO da Monteo, ecossistema do setor de consórcios, Juciel Oliveira, o avanço mostra que a modalidade passou a ocupar outro espaço nas decisões financeiras. “O investidor percebeu que não precisa necessariamente escolher entre comprar um imóvel e manter seu capital investido ou disponível para o negócio. O consórcio permite estruturar essa aquisição ao longo do tempo, preservar liquidez e incorporar um novo ativo ao patrimônio sem concentrar uma grande saída de recursos de uma só vez”, afirma o executivo.
A mudança de comportamento também aparece em uma pesquisa encomendada pela ABAC à Okiar Intelligence. Entre os entrevistados, 36% apontaram a construção de uma reserva financeira como um de seus principais objetivos e 35% mencionaram investir. O levantamento ouviu consumidores de diferentes regiões do país e identificou uma percepção da modalidade ligada a planejamento, disciplina financeira e conquista patrimonial.
Planejamento patrimonial
Para quem já possui aplicações financeiras ou uma empresa, a lógica pode ser diferente daquela de quem procura apenas adquirir a primeira residência. Em vez de retirar uma parcela elevada dos recursos disponíveis para uma compra à vista, o cliente pode manter parte do capital alocado e assumir pagamentos mensais compatíveis com o próprio fluxo financeiro.
Após a contemplação e a aquisição do imóvel, uma eventual receita de locação pode ser incorporada às contas e ajudar no pagamento das prestações restantes. A estratégia permite combinar preservação de capital, aquisição de patrimônio e possibilidade de geração de renda com o novo ativo.
“Quando o empresário mantém recursos disponíveis no negócio ou o investidor preserva aplicações que já fazem parte de sua estratégia, ele mantém capacidade para aproveitar outras oportunidades. O consórcio imobiliário acrescenta uma nova frente patrimonial sem exigir que todo o capital seja deslocado para a compra do imóvel naquele momento”, explica Juciel.
A renda obtida com aluguel pode contribuir para o pagamento das prestações depois da contemplação, embora o planejamento precise considerar períodos de vacância, manutenção, tributos e demais despesas relacionadas à propriedade.
Sem juros não significa sem custos
Uma das comparações mais frequentes ocorre com o financiamento imobiliário. No consórcio, não há cobrança de juros como em uma operação tradicional de crédito, mas isso não significa custo zero. A contratação envolve taxa de administração e pode incluir fundo de reserva e seguro, conforme as regras estabelecidas no contrato.
Outro ponto central é o prazo. A carta de crédito somente fica disponível após a contemplação, que ocorre por sorteio ou lance de acordo com as condições de cada grupo. Por isso, prazo, capacidade financeira e objetivo da aquisição devem ser considerados desde a contratação.
