Confiança do comércio volta a crescer em junho puxada pelo setor de vestuário

Indicador da CNC interrompe duas quedas consecutivas e atinge 102,6 pontos; empresários, contudo, seguem pessimistas com o cenário econômico atual

Confiança do comércio volta a crescer em junho puxada pelo setor de vestuário. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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Victor Gomes

A confiança dos empresários do comércio brasileiro voltou a respirar em junho, interrompendo uma sequência de duas quedas mensais consecutivas. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgado nesta terça-feira (30) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou uma leve alta de 0,2% na comparação com o mês anterior, após ajuste sazonal.

Com o resultado, o indicador alcançou os 102,6 pontos. Como a marca permanece acima da barreira dos 100 pontos, o setor se mantém na chamada zona de satisfação (ou otimismo). Apesar do alívio mensal, o comércio ainda acumula uma retração de 2,2% na comparação anual, dando sequência a uma tendência de queda iniciada em maio.

O peso da moda no resultado

O fôlego do indicador em junho teve um endereço certo: o segmento de bens semiduráveis, que engloba vestuário, calçados, tecidos e acessórios. A confiança dos empresários desse ramo saltou 1,1% no mês, atingindo 105,4 pontos.

Foi justamente esse avanço do setor de moda que sustentou o índice geral no azul, compensando o desempenho negativo dos demais ramos do varejo:

  • Bens duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e veículos): recuo de 0,7%.

  • Bens não duráveis (supermercados, farmácias e cosméticos): ligeira retração de 0,1%.

Otimismo com o amanhã, cautela com o hoje

Apesar da melhora no índice geral, os dados da CNC revelam uma forte dicotomia: o varejista projeta um futuro melhor, mas demonstra profundo desconforto com o presente. O subíndice de Condições Atuais foi o único componente a registrar queda mensal (-1,0%), penalizado pela percepção negativa sobre a economia nacional, que encolheu 1,7%.

A insatisfação com o momento macroeconômico corrente atingiu o patamar mais alto desde outubro do ano passado. Segundo a pesquisa, 75,9% dos comerciantes entrevistados afirmaram observar uma piora no cenário econômico atual, evidenciando um ambiente de forte cautela no dia a dia das operações.