Com cartão de crédito no topo, endividamento do brasileiro bate recorde histórico e chega a 81,6%
Pesquisa da CNC aponta que 84,6% das famílias endividadas utilizam a modalidade; inadimplência dispara na faixa de menor renda
O endividamento dos consumidores brasileiros alcançou uma marca histórica ao registrar o quinto mês consecutivo de alta, atingindo o patamar recorde de 81,6% em maio. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador acende um alerta na economia ao evidenciar a forte dependência das famílias em relação ao cartão de crédito, considerado uma linha de financiamento de altíssimo risco.
Para o presidente do Sistema CNC, José Roberto Tadros, o efeito prático do diagnóstico desenhado pela Peic é um alerta. “Essa sequência de aumentos atinge, principalmente, as famílias de menor poder aquisitivo, pela exposição às taxas decorrentes de atrasos em pagamentos”, afirma.
De acordo com o levantamento, o cartão de crédito se mantém isolado como a principal modalidade de dívida no país, estando presente na realidade de 84,6% dos lares endividados. A preocupação de analistas e do mercado financeiro se justifica pelas taxas de juros atreladas a esse recurso: o crédito rotativo fechou o período com uma taxa média de 428,3% ao ano, a mais elevada do mercado nacional.
Pressão na Baixa Renda
A deterioração do cenário financeiro foi mais severa entre as famílias que recebem até três salários mínimos. Para este grupo, a inadimplência saltou 1,7 ponto percentual em termos mensais, atingindo a marca crítica de 38,6% em maio.
O aperto no orçamento doméstico também se reflete na percepção do consumidor sobre a própria saúde financeira. O total de famílias que se declaram “muito endividadas” subiu para 17,0%, o maior nível registrado desde junho de 2024. O avanço do indicador consolida um ambiente de extrema cautela no mercado e reforça as pressões sobre a capacidade de consumo da população nos próximos meses.