CNI diz que corte de juros é insuficiente e vê agravamento da economia

Redução ainda mantém o custo do crédito em nível proibitivo e amplia o endividamento de empresas e famílias

CNI diz que corte de juros é insuficiente e vê agravamento da economia. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi
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Poder da Capital

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como insuficiente a decisão do Banco Central de cortar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, que passou para 14,5% ao ano. Em posicionamento divulgado nesta quarta-feira, 29, a entidade afirmou que a cautela da autoridade monetária “sufoca ainda mais a economia” e dificulta a retomada de investimentos produtivos.

Segundo a CNI, o patamar atual da Selic mantém o custo do capital em nível considerado proibitivo, inviabilizando projetos que poderiam ampliar a competitividade da indústria. O presidente da entidade, Ricardo Alban, disse que o endividamento de empresas e famílias “bate recorde mês a mês”, o que fragiliza a saúde financeira da economia.

A CNI também argumenta que o cenário externo não justifica, sozinho, maior rigidez monetária. No documento, a confederação destaca que o Brasil está menos exposto ao choque do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio, além de registrar entrada expressiva de dólares no mercado de capitais, fatores que ajudam a sustentar o real e a conter pressões inflacionárias.

A entidade projeta que o IPCA encerre 2026 dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo teto é de 4,5%. Na avaliação da CNI, há espaço para cortes mais agressivos da Selic, já que, pela Regra de Taylor citada no texto, os juros deveriam estar em 11,1%, ou 3,4 pontos percentuais abaixo do nível atual.