Centro-Oeste lidera avanço da inadimplência empresarial no Brasil
Região registra salto de 17,44% em empresas negativadas em doze meses, enquanto endividamento das famílias atinge quase metade da população adulta
O ambiente de crédito para os negócios no Centro-Oeste enfrenta um aperto expressivo. Dados divulgados pelo SPC Brasil revelam que a região registrou, em agosto de 2026, a maior taxa de crescimento do país no número de empresas inadimplentes. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a elevação foi de 17,44%, superando com folga a média nacional, fixada em 12,82%.
“O Centro-Oeste apresenta um avanço da inadimplência empresarial acima da média brasileira tanto em número de empresas quanto em quantidade de dívidas. Para as empresas, acompanhar o fluxo de caixa, avaliar compromissos financeiros e manter uma gestão mais criteriosa do crédito são medidas importantes diante desse cenário”, afirma João Paulo Travasso Maia, coordenador de soluções do SPC Brasil.
A tendência de alta também se confirmou no curto prazo. Na passagem de julho para agosto, o avanço foi de 1,08%, novamente o índice mais acentuado entre as cinco grandes regiões brasileiras. Paralelamente, o volume total de dívidas contraídas pelo setor produtivo local disparou 19,90% em doze meses, ritmo consideravelmente superior aos 14,72% apurados no restante do território nacional. Em âmbito geral, cada negócio com pendências no país acumula, em média, R$ 7.030,71 em débitos, divididos com 1,79 credores.
O estrangulamento financeiro não se restringe ao meio corporativo e atinge com força os consumidores da região. O Centro-Oeste contabiliza aproximadamente 6,34 milhões de pessoas físicas negativadas, montante correspondente a 47,80% da população adulta local. Essa taxa representa a segunda maior proporção do país, ficando atrás somente da Região Norte.
O contingente de pessoas físicas com contas em atraso subiu 5,06% no confronto anual, acompanhando o desempenho médio brasileiro de 5,02%, enquanto o estoque de pendências financeiras individuais aumentou 10,10%. Apesar da forte pressão acumulada ao longo do ano, a fotografia mensal trouxe um leve respiro pontual, com retração de 1,08% na quantidade de consumidores negativados entre julho e agosto.
