Brasileiro usa banco todo dia, mas planeja pouco o futuro financeiro

Levantamento mostra que contas e cartões dominam a rotina, enquanto previdência privada e consórcio ainda têm baixa adesão

Brasileiro usa banco todo dia, mas planeja pouco o futuro financeiro. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Brasileiro usa banco todo dia, mas planeja pouco o futuro financeiro. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Victor Gomes

A presença de serviços financeiros na rotina da população brasileira é ampla quando o assunto é o dia a dia, mas diminui bastante quando envolve planejamento de longo prazo. É o que revela uma pesquisa da binds.co, empresa de dados e inteligência de mercado focada em experiência do cliente (CX). Enquanto a conta corrente faz parte da vida de 89,1% dos entrevistados, a previdência privada alcança apenas 14,5%. O estudo aponta que as ferramentas voltadas para movimentação básica, pagamentos e facilidades digitais já estão consolidadas: o cartão de crédito está nas mãos de 82,1% das pessoas ouvidas, e as contas digitais chegam a 74,9%.

Para Leandro Cabral, presidente-executivo da binds.co, o comportamento do consumidor financeiro funciona em diferentes etapas, e a atuação em uma frente não garante espaço nas outras. "Conta e cartão já estão amplamente presentes na vida do brasileiro, mas, quando saímos das necessidades mais cotidianas, a penetração dos produtos muda bastante. Para as instituições, isso significa que estar presente no dia a dia financeiro do cliente não garante automaticamente espaço em outras decisões. Cada nova relação precisa ser conquistada", destaca Cabral.

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Empate técnico entre crédito e investimentos
O levantamento também revela um contraste curioso no grupo intermediário de serviços: a contratação de empréstimos (44,1%) e a posse de investimentos (43,3%) aparecem quase no mesmo patamar, separadas por apenas 0,8 ponto percentual. Embora tenham objetivos opostos na organização do orçamento, os dois produtos dividem fatias semelhantes da população.

No final da lista, os produtos de longo prazo continuam com adesão modesta. Além dos 14,5% registrados pela previdência privada, os consórcios estão presentes na carteira de apenas 12,3% dos participantes.

Segundo a análise da empresa, o cenário reforça que oferecer produtos já não basta para avançar em áreas mais complexas. À medida que as demandas dos clientes se tornam mais específicas, bancos e instituições precisam investir em confiança, relevância e comunicação personalizada para conquistar a atenção do consumidor além dos gastos rotineiros.

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