BC avalia estabilidade financeira e mantém reserva extra de capital zerada
Ata da reunião de março reafirma resiliência do Sistema Financeiro Nacional
O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), instância máxima do Banco Central do Brasil (BC) para monitoramento do sistema financeiro, concluiu sua 64ª reunião nos dias 11 e 12 de março, e divulgou a ata do encontro nesta nesta quinta-feira (19). O documento reafirma a resiliência do Sistema Financeiro Nacional (SFN) apesar de riscos globais e domésticos.
Sob a presidência de Gabriel Galpolo, com diretores como Ailton de Aquino Santos (Fiscalização) e Nilton José Schneider David (Política Monetária), o Comef analisou perspectivas internacionais e locais. O sistema financeiro global demonstra resiliência, com câmbio flutuante absorvendo choques geopolíticos concentrados em commodities, mas incertezas fiscais em economias avançadas elevam volatilidade. No SFN, crédito desacelera com a economia, provisões alinham-se a perdas esperadas e testes de estresse confirmam capacidade de absorver impactos, inclusive em cenários de quebra fiscal.
O endividamento elevado de famílias e empresas, aliado a juros altos, exige cautela em concessões de crédito, com inadimplência pressionada em modalidades de risco. O mercado de capitais cresce acima do crédito bancário, impulsionado por securitizações, mas opacidade em estruturas complexas de fundos preocupa supervisores e investidores.
De acordo com o documento, a liquidação extrajudicial do Conglomerado do Banco Master não gerou contágio sistêmico, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) acionado e plano de recomposição de liquidez aprovado em março. "Os mecanismos de proteção existentes associados ao FGC foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro", aponta o documento.
A ata reforça a importância de previsibilidade fiscal para sustentar a estabilidade, em meio a um 2026 marcado por tensões geopolíticas e moderação econômica.