Banco Inter prevê juros a 13,25% e PIB menor com inflação pressionada

Relatório aponta desaceleração da economia para 1,8% e recomenda blindagem com títulos IPCA+

Relatório do Inter aponta desaceleração da economia para 1,8% e recomenda blindagem com títulos IPCA+. Foto: B3/Divulgação
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Poder da Capital

O cenário macroeconômico para o restante do ano exigirá cautela e equilíbrio dos investidores. Diante de ruídos fiscais e pressões inflacionárias, o banco Inter divulgou seu relatório de estratégia para junho de 2026, projetando uma desaceleração no ritmo de crescimento do país e a manutenção da taxa Selic em patamares restritivos.

Segundo a economista-chefe da instituição, Rafaela Vitória, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve registrar expansão de 1,8% em 2026. Apesar do início de ano aquecido por estímulos fiscais e pela resiliência do mercado de trabalho — com o desemprego estimado para encerrar em 5,7% —, o alto endividamento das famílias e o encarecimento do crédito devem frear a atividade nos próximos meses.

O principal ponto de atenção é a inflação. Pressionado pelo choque do petróleo (projetado a US$ 90 o barril) e pela resiliência no setor de serviços, o IPCA deve fechar o ano em 5,1%, acima do teto da meta. Como resposta, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve adotar cortes graduais de apenas 0,25 p.p., encerrando o ano com a Selic em 13,25%. O banco alerta para o risco de pausa nas reduções caso a questão fiscal se deteriore. O dólar deve permanecer valorizado, perto de R$ 5,00.

No cenário externo, os Estados Unidos seguem com atividade acelerada (PIB do 2º trimestre estimado em 4,3% pelo Fed de Atlanta) e inflação ao produtor acumulada em 6%. O quadro desafia o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, aumentando as chances de novas altas de juros se os preços não cederem.

Recomendações de Investimento

Para enfrentar a volatilidade, o Inter sugere uma estratégia focada em proteção e ganho real.

  • Renda Fixa: A preferência recai sobre os títulos indexados à inflação (IPCA+), que oferecem taxas reais historicamente elevadas e protegem o patrimônio contra choques de commodities. Ativos pós-fixados continuam recomendados para assegurar o carrego da carteira e liquidez.

  • Fundos Imobiliários (FIIs): O índice IFIX registrou queda de 1,7% em maio, reflexo do prêmio de risco político e geopolítico. A recomendação é de cautela, embora os fundamentos dos fundos de tijolo e a adimplência sigam saudáveis.

  • Renda Variável: O banco indica maior seletividade na Bolsa brasileira, priorizando ações defensivas e focadas em dividendos, evitando setores estritamente cíclicos.

Confira a análise completa aqui.