Banco Daycoval projeta desaceleração da economia e alerta para pressão na inflação até o fim do ano
Combinação de juros altos, fraqueza no comércio e custos em alta nos alimentos e energia elétrica reforça tendência de crescimento menor para 2026
O cenário econômico brasileiro entra na reta final do ano sob sinais evidentes de perda de ritmo e com a inflação ainda desafiadora. Segundo estimativas recentes do Banco Daycoval, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caminha com viés de baixa para o terceiro trimestre e para o fechamento de 2026, reflexo do impacto acumulado das taxas de juros elevadas sobre o consumo e os setores produtivos.
Os números de atividade econômica referentes a agosto vieram abaixo do esperado pelo mercado. O volume de serviços teve uma leve queda de 0,1%, acumulando quatro meses de estagnação e indicando que o segmento, antes o motor mais resistente da economia, começou a perder força. O comércio varejista seguiu o mesmo caminho de fraqueza: subiu apenas 0,1% no formato restrito e recuou 0,2% no varejo ampliado, prejudicado pela baixa nas vendas de veículos, móveis, eletrodomésticos e até supermercados.
A prévia do PIB calculada pelo Banco Central, o IBC-Br, também confirmou essa desaceleração ao avançar 0,3% em agosto, metade do ritmo de 0,6% que a instituição financeira previa. Diante desse conjunto de resultados fracos, o banco aponta risco de revisão para baixo na sua projeção de crescimento do PIB, tanto para o terceiro trimestre (estimado em 0,2%) quanto para o fechamento do ano, cuja previsão inicial era de 1,8%.
Do lado dos preços, o alívio ainda não se consolidou. O mercado aguarda a divulgação do IPCA-15 de outubro, para o qual o banco calcula uma alta de 0,43%. As principais pressões continuam vindo das contas de energia elétrica e dos preços mais salgados dos alimentos nos supermercados. A inflação no atacado também mostra força, com projeções de alta de 1,6% no IGP-10 e de 1,4% na segunda prévia do IGP-M do mês.
Nas expectativas gerais do mercado financeiro, apuradas pelo Boletim Focus, a inflação esperada para 2026 permanece em 5,22%, enquanto a taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar o ano em 13,25%. O patamar elevado do crédito continua sendo o principal fator de contenção para o endividamento das famílias e as compras a prazo.
No exterior, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio segue no centro das atenções ao manter as cotações do petróleo elevadas, o que acrescenta incerteza aos custos globais de combustíveis e energia. No Brasil, o foco dos próximos dias se divide entre a confirmação dos números de inflação e a divulgação das últimas pesquisas eleitorais antes do segundo turno.
