Ata Copom: alerta sobre inflação segue no radar

Banco Central cortou a taxa em 0,25 e afirmou que o cenário externo segue incerto

Copom reduz Selic para 14,50% e mantém alerta sobre inflação. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Victor Gomes

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros para 14,50% ao ano, na reunião de 28 e 29 de abril. A decisão veio acompanhada de um alerta: a inflação continua acima da meta e o ambiente internacional segue marcado por incertezas e tensão geopolítica.

O Banco Central informou que a inflação cheia e as medidas subjacentes voltaram a acelerar, enquanto as expectativas para 2026 e 2027 permanecem em 4,9% e 4,0%, acima do centro da meta. A ata também aponta desancoragem adicional das projeções para prazos mais longos, especialmente 2028.

“A ata reforça uma leitura de transição: o Banco Central reconhece que há espaço para reduzir a Selic, mas ainda vê riscos suficientes para manter uma postura conservadora. O ponto central é que a política monetária continua restritiva, mesmo após o corte. Isso significa que o crédito deve seguir caro, os investidores continuarão exigindo prêmio de risco e as empresas terão de conviver com um ambiente financeiro mais seletivo. O conflito no Oriente Médio adiciona incerteza porque pode afetar variáveis que o Brasil não controla, como petróleo, dólar e percepção global de risco. Quando esses fatores se deterioram, a curva de juros tende a reagir, e isso impacta o custo de financiamento na economia real. A pergunta não é apenas se a Selic vai cair, mas quanto dessa queda chegará ao mercado. A ata sugere que o alívio será gradual, condicionado e vulnerável a choques externos”, destaca o CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araújo.

No cenário doméstico, a atividade econômica segue em moderação, mas o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. O Copom destacou que a política monetária já vem desacelerando o crédito e afirmou que a restrição deve continuar por mais tempo para trazer a inflação de volta ao alvo. 

A decisão de cortar 0,25 ponto percentual foi classificada pelo colegiado como a mais adequada neste momento. O Banco Central afirmou que seguirá com cautela e serenidade, monitorando os próximos dados antes de definir os próximos passos do ciclo de juros.