Anac aponta 3,5 mil voos cancelados por conta de alta nos combustíveis da aviação
Cancelamentos foram motivados pelos preços do querosene, impactado pela Guerra no Oriente Médio
Desde o início da guerra no Oriente Médio o Brasil já acumulou mais de 3,5 mil voos cancelados devido a alta do preço do querosene de aviação. Mas a situação pode piorar, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com a tendência de aumentos, o país pode ter ainda mais outros 2,6 mil voos cancelados em junho.
O tema foi debatido na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (21) e discutiu os impactos no bolso dos passageiros. O Brasil importa até 30% do querosene de aviação consumido no país.
Houve, de acordo com Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), redução de rotas regionais. O presidente da entidade, Juliano Noman, comentou as estratégias do setor neste momento. "Uma das coisas que as empresas estão fazendo, cada uma com sua estratégia, mas acabou tendo convergência de objetivos, é não retirar nenhum destino. Teve muita redução de oferta, teve redução do tamanho do avião. Alguns destinos que eram avião de dois motores passou a ser com avião de um motor", apontou.
Noman abordou ainda os impactados na vida dos brasileiros. "Reduzir oferta é sempre ruim, mas a gente está tentando não sair de nenhuma localidade, mas é inevitável o impacto no custo, é alarmante. Mas a pior face dessa crise é ter sair, ter que desatender. Tem gente lá em tratamento de saúde, querendo abrir um negócio e eventualmente se vê com desabastecimento no setor aéreo", alertou.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na última quarta-feira (20) resolução que regulamenta uma nova linha emergencial de crédito para empresas que operam voos domésticos regulares no Brasil.
A medida prevê até R$ 1 bilhão em financiamentos para reforçar o capital de giro das companhias diante da alta recente dos custos do setor, especialmente do querosene de aviação.