Alta do IPCA-15 pressiona inflação e afasta corte de juros em novembro, avalia Daycoval
Energia elétrica, passagens aéreas e comida mais cara superaram as projeções do mercado e deixam o cenário mais complexo para o Banco Central
A prévia da inflação oficial de setembro surpreendeu o mercado financeiro e acendeu um sinal de alerta sobre o comportamento dos preços no encerramento do ano. O IPCA-15 registrou alta de 0,70% no mês, superando as expectativas dos analistas e reforçando a aposta de que o Banco Central deve manter a taxa básica de juros inalterada em sua reunião de novembro, segundo avaliação do Banco Daycoval.
O resultado do mês foi puxado principalmente pela retirada de alívios temporários e pelo encarecimento de itens essenciais no orçamento das famílias. Um dos maiores impactos veio da conta de luz, que perdeu o alívio temporário do bônus de Itaipu. O fim desse desconto já era previsto por especialistas, mas agora passa a pesar diretamente sobre o índice geral.
Outro ponto de pressão partiu do setor de serviços, com destaque para as passagens aéreas. Depois de registrarem queda no mês anterior, os bilhetes voltaram a subir com força acima do previsto pelas projeções do banco. No mesmo grupo, despesas com alimentação fora de casa e transporte por aplicativo também registraram avanços que ajudaram a puxar o indicador para cima.
A comida no prato também voltou a preocupar. Os preços dos alimentos consumidos no domicílio entraram em terreno positivo bem antes e com mais força do que o estimado. Segundo o Daycoval, esse movimento confirma o fim da fase de alívio sazonal do setor e antecipa uma fase de maior pressão sobre os preços dos alimentos para o último trimestre.
O único alívio relativo veio dos chamados núcleos de inflação, métrica que desconsidera os preços mais voláteis para medir a tendência real do custo de vida. Esse indicador veio dentro do projetado pelo banco, mas ainda roda em nível considerado elevado e voltou a acelerar na comparação em doze meses.
Com a reversão dos fatores pontuais que ajudavam a segurar os preços e a persistência de núcleos ainda altos, o Banco Central enfrenta um cenário bastante desafiador para cumprir as metas de inflação, o que deve exigir cautela e a manutenção dos juros no patamar atual no próximo encontro do Copom.
