Alerta ao exportador: tarifa dos EUA de 25% ameaça empregos no Brasil e pressiona indústria já asfixiada

Proposta americana abre segunda frente de pressão sobre empresas brasileiras, que enfrentam transição tributária interna

Tarifa dos EUA de 25% ameaça empregos no Brasil e pressiona indústria já asfixiada. Imagem gerada por IA
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Victor Gomes

O empresariado exportador brasileiro enfrenta um novo teste de sobrevivência. Uma proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa linear de 25% sobre diversos produtos nacionais ameaça a competitividade do país no mercado americano. A medida, que surge em um momento de forte pressão fiscal interna com a implementação da Reforma Tributária e a perspectiva de um IVA de até 28%, joga luz sobre a vulnerabilidade de setores que dependem excessivamente de um único comprador.

O advogado tributarista e especialista em gestão tributária empresarial, Renan Nunes, alerta sobre o que a medida pode causar. "O impacto mais imediato é na competitividade. Uma tarifa de 25% encarece o produto brasileiro na prateleira americana e força o exportador a uma escolha ruim: repassar o preço e perder mercado, ou absorver o custo e ver a margem encolher. Mas há um efeito mais perverso e silencioso, que é a substituição de fornecedor", destaca.

Nunes ressalta que o consumidor e a indústria americana não esperam o Brasil resolver suas divergências políticas. "Diante de um produto 25% mais caro, eles simplesmente trocam de origem. É bom lembrar que vivemos algo parecido no tarifaço de 50% de 2025, quando a carne bovina brasileira chegou a uma tarifa efetiva próxima de 76% e parte do volume teve de ser redirecionada para a China, com prejuízo estimado em torno de US$ 1 bilhão para o setor. O problema é que reconquistar um cliente perdido é muito mais difícil do que mantê-lo", completou o especialista.

Custo social
O risco mais grave da nova rodada de tarifas é o social. Setores com cadeias produtivas inteiras voltadas ao mercado americano correm o risco de paralisar fábricas e promover demissões em massa. No ano passado, o setor calçadista viveu esse drama de forma concreta, com a eliminação de milhares de empregos diretos e uma perda estimada em mais de 20 mil postos ao longo de toda a cadeia. Impactos semelhantes foram sentidos nas regiões produtoras de madeira, pesca, frutas e na indústria química.

Antídoto
Renan Nunes recomenda que as empresas não aguardem a vigência da tarifa para adotar uma postura reativa. "Como a medida ainda está em fase de consulta pública, empresas e entidades de classe afetadas podem e devem participar do processo, enviando manifestações por escrito até 1º de julho e solicitando espaço na audiência. Articulação setorial, por meio de associações e sindicatos patronais, costuma ter mais peso do que a iniciativa isolada", apontou.

A recomendação final para o ambiente de negócios é a realização de uma auditoria individualizada da pauta de exportação de cada companhia para mensurar a real exposição ao risco. Em períodos de forte instabilidade geopolítica e econômica, o planejamento estratégico baseado em dados consolidados continua sendo o melhor mecanismo de defesa para manter as operações sustentáveis.