Pix x Zelle: entenda as diferenças entre os sistemas de pagamento

Comparação ganhou força nas redes sociais, mas modelo americano possui diversos pontos distintos

Pix x Zelle: entenda as diferenças entre os sistemas de pagamento. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
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Poder da Capital

O sistema de pagamentos americano Zelle entrou para os assuntos mais comentados nas redes sociais, após ser citado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro em comparações com o Pix. A discussão despertou dúvidas sobre as semelhanças e diferenças entre as duas soluções, especialmente diante do protagonismo que o sistema brasileiro conquistou nos últimos anos.

Embora ambos permitam transferências instantâneas entre pessoas e empresas, a comparação exige cuidado. De acordo com o especialista em Mercados Regulados e Criptoativos, Carlos Akira Sato, os dois sistemas foram desenvolvidos sob lógicas bastante diferentes. "O Zelle é uma aplicação privada criada pelos maiores bancos dos Estados Unidos para facilitar transferências entre contas bancárias. Já o Pix é uma infraestrutura pública criada e operada pelo Banco Central, que se transformou em uma plataforma nacional de pagamentos", explica.

Na prática, o Zelle concentra sua atuação em transferências entre contas dentro do sistema financeiro americano. O Pix, por outro lado, reúne uma série de funcionalidades adicionais, incluindo pagamentos por QR Code, cobranças, pagamentos recorrentes, integração com Open Finance e liquidação instantânea entre instituições financeiras.

O debate ocorre em um momento em que o Pix também passou a ser mencionado em discussões internacionais. Recentemente, o sistema brasileiro foi citado em relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisou aspectos regulatórios do mercado de pagamentos no Brasil.

Para o especialista, a discussão ultrapassa o universo dos pagamentos e passa a envolver temas estratégicos ligados à soberania digital e ao papel das infraestruturas públicas na economia. "O Brasil precisa defender o direito de desenvolver infraestrutura financeira pública moderna, interoperável e acessível. O maior risco não é a crítica ao Pix em si, mas a criação de precedentes que possam questionar a legitimidade de infraestruturas digitais públicas bem-sucedidas apenas porque concorrem com soluções privadas", conclui.