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Brasileiros priorizam corte de gastos e renda extra antes de recorrer a empréstimos

Pesquisa da IBEVAR-FIA baseada em buscas do Google derruba mito sobre endividamento imediato e mostra que o crédito é a última alternativa das famílias

Brasileiros priorizam corte de gastos e renda extra antes de recorrer a empréstimos. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Brasileiros priorizam corte de gastos e renda extra antes de recorrer a empréstimos. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
V
Victor Gomes

Ao contrário da percepção comum de que o consumidor recorre imediatamente a empréstimos diante do aperto financeiro, as famílias brasileiras seguem uma sequência disciplinada de contenção de crise antes de contrair novas dívidas. É o que revela um estudo inédito da Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) em parceria com a FIA Business School, realizado a partir da análise de 272 semanas de dados do Google Trends com modelagem estatística e testes de causalidade.

“Os números mostram um consumidor muito mais racional e resiliente do que o senso comum sugere. A dívida não é a primeira escolha — é o último recurso, acionado só depois que as alternativas de ajuste e renda se esgotam”, afirma Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School. 

O mapeamento identificou que a primeira reação ao descompasso orçamentário acontece dentro de casa. Diante das dificuldades, o consumidor inicia o ajuste cancelando assinaturas de serviços, revendo planos e buscando cupons de desconto no consumo cotidiano.

Quando o enxugamento do orçamento doméstico atinge o teto, tem início a segunda etapa: a tentativa de complementar os ganhos. Os dados mostram uma relação estatística quase imediata e robusta (coeficiente de 0,97) entre a contenção de despesas e a procura por renda extra ou trabalho informal, comportamento que se sustenta de maneira estável por até seis semanas.

A sensação explícita de aflição surge apenas quando as tentativas de geração de renda falham. Expressões como "não tenho dinheiro para" e "como sair das dívidas" disparam nas buscas logo após o esgotamento das alternativas de trabalho extra, evidenciando o momento em que a crise doméstica transborda a capacidade de adaptação da família.

O recurso ao crédito emergencial e à antecipação do FGTS figura apenas no estágio final desse processo. O estudo aponta que a procura por empréstimos não antecipa nem causa a crise, mas reage a uma situação já consolidada. Seis semanas após o pico de desespero financeiro registrado nas buscas, a associação com a procura por crédito quase dobra em comparação ao impacto imediato, comprovando que o endividamento bancário é adotado somente quando todas as outras alternativas foram plenamente esgotadas.